18 de Setembro de 2014

March, Book One. John Lewis, Andrew Aydin e Nate Powell (Top Shelf)

Imaginemos a cena. Um pequeno restaurante, numa rua principal de uma cidade de alguma dimensão, tem mesas distribuídas no seu espaço, algumas perto das montras, outras dispostas perto das paredes, um balcão corrido. As pessoas entram, sentam-se, escolhem o prato de uma ementa, encomendam, comem e pagam. Mas conforme a cor de pele, pode ou não ser autorizado a sentar-se ao balcão, ou tem de ser dirigido a um canto especial. O mesmo ocorria com lugares nos autocarros, se não mesmo no tipo de autocarros, das casas de banho em estações de serviço, ou nas escolhas e possibilidades de inscrição em escolas, bibliotecas, jornais, já para não falar sequer no direito à directa representação eleitoral ou outros assuntos ainda mais prementes (habitação, empregabilidade, etc.). (Mais) 

16 de Setembro de 2014

Safe Place. André Pereira e Paula Almeida (Kingpin Books).

Safe Place é um projecto curioso na medida em que parece ser construído a partir de uma ideia modular. Ele pode ser lido como um projecto isolado, mas potencia-se igualmente como episódio de algo maior, que poderá ou não vir a ser desdobrado. Além disso, como todas as obras de autores que se vão formando de modo decisivo e certeiro, ela também pode ser lida em conjunção com os trabalhos anteriores do autor. (Mais)

14 de Setembro de 2014

Artigo na ColdFront: A Kick in the Eye.

Serve o presente post para indicar que a crítica a A Kick in the Eye, que havíamos feito aqui, foi publicada em inglês na ColdFront mag.

Agradecimentos a Nico Vassilakis, pela ajuda nos contactos.

Link directo, aqui.

12 de Setembro de 2014

Colaboração no The Comics Alternative. Entrevista a Karin Kukkonen.

Daremos início a uma nova colaboração internacional, desta feita com The Comics Alternative, um espaço moderado por Derek Royal e Andy Kunka. 

Para já, tratar-se-á de publicar as versões originais das entrevistas conduzidas por email (ou outros modos) aos académicos que temos tido a oportunidade de contactar, mas é possível que possamos vir a escrever material exclusivo.

Desta feita, trata-se da entrevista a Karin Kukkonen, que fizemos a propósito dos  dois livros que havíamos lido dela.

Agradecimentos a todos os envolvidos.




Le muret. Céline Fraipont e Pierre Bailly (Casterman).

A primeira surpresa deste livro são os nomes que surgem na capa. Seguindo há algum tempo, ainda que em silêncio neste espaço, a obra da escritora Fraipont e do artista Bailly sob a forma de um dos melhores títulos da actualidade de banda desenhada infantil, Le petit Poilu (sem matéria verbal, com histórias lineares e simples de seguir, são perfeitas introduções à linguagem da banda desenhada para crianças que ainda não sabem nem ler nem ler banda desenhada), o seu surgimento numa colecção que usualmente versa temáticas e estruturas mais maduras levava de imediato a algum gau de curiosidade. Uma primeira consulta confirmava a diferença de direcção do trabalho de ambos. A sua leitura atenta reservava ainda mais complexidades. (Mais) 

9 de Setembro de 2014

Workshot de Introdução à banda desenhada na OC.

Serve o presente post para anunciar que a segunda fase dos workshots da Oficina do Cego estão desde já anunciados, entre os quais um de introdução à banda desenhada, dado por este vosso criado.

Este breve encontro é dirigido sobretudo a formandos mais jovens a partir dos 12 anos e/ou a pessoas que nunca fizeram banda desenhada ou mesmo nunca desenharam. Não se trata de um curso de desenho, mas de introdução a algumas das estruturas formais necessárias para a criação da banda desenhada. 

Apareçam!

Mais informações, sigam este link.

M. Berthod. Cette beauté qui s'en va (Les Impressions Nouvelles)

No Tratado sobre a origem da linguagem, de 1771, J. G. von Herder propõe uma noção da relação entre a natureza e a civilização (tudo o que é fruto da tarefa do homem) que vai além de uma mera oposição, como o havia sido no caso de Rousseau. Há a um só tempo um grau de identidade e um grau de diferença entre o ser humano e a natureza, e é na conjunção deles que se dá o efeito que dá origem à linguagem e à literatura (e a toda a arte, quando o filósofo fala da Kunstgeschöpf, ou “capacidade para a arte” do homem). O cerne dessa relação é aquilo que Herder chama de Besonnenheit, usualmente traduzido como “clareza de consciência”, a faculdade de separar a impressão sensível da materialidade do dado. Podemos dizer que a paisagem existe fisicamente, numa determinada posição topológica, com coordenadas “exactas” ou relacionais, mas ao mesmo tempo que ela é apenas fundada num determinado momento relativo ao acto de observação, cujas condições, se alteradas, alteram também a própria paisagem. (Mais) 

29 de Agosto de 2014

Carnet de Portugal/Szkicownik portugalski. Cyril Pedrosa (Dupuis/Timof)

Carnet de Portugal é um pequeno livro de desenhos soltos, apontamentos de viagem, paisagens, pessoas, colhidos em Portugal pelo autor francês de descendência portuguesa, Cyril Pedrosa. A associação imediata deste pequeno volume com o livro Portugal é inevitável por toda uma série de frentes: editorialmente, ele é veiculado não apenas pela mesma editora mas na mesma colecção, a Aire Libre (a qual se tem gradualmente afastado de alguns dos valores que com se iniciara); autoralmente, por razões óbvias; em termos de obra, uma vez que haverá pelo menos a “desculpa” de que o trabalho de pesquisa (e vivência, se se seguir a veia autobiográfica) para Portugal se encontrará aqui. Além disso, uma vez que este volume é reproduzido no formato e materialidade típicas de um Moleskine sensivelmente do tamanho A5, procura mimar um determinado tipo de intimidade que apenas é possível ao termos acesso aos verdadeiros cadernos e blocos de desenho dos artistas. Não há propriamente introduções nem elementos paratextuais (a edição polaca utiliza um anexo de traduções, necessário, e que evita “poluir” as imagens em si, mas devemos vê-la como “externa”), portanto o mergulho é imediato. (Mais) 

23 de Agosto de 2014

The Portent, Ashes. Peter Bergting (Dark Horse)

A leitura e recepção do livro anterior de Bergting, Domovoi, foi feita com algumas expectativas e cumprida também na ignorância deste segundo livro. Se tivéssemos lido os dois livros e apenas depois escrevêssemos sobre eles, é certo que a estrutura dos nossos textos seria bem diferente. Pois se um livro esconde outro, como os comboios, quase sempre, e repetimos esta ideia, a leitura de um leva a que a leitura de outro seja executada de forma distinta. Tendo em conta a ordem da sua produção, e a sua leitura, todavia, o que ocorre em relação a The Portent é uma espécie de desilusão. (Mais) 

20 de Agosto de 2014

Domovoi. Peter Bergting (Dark Horse)

Este livro é uma aventura leve, envolvendo fantasia, uma literal fuga do mundo real, passagens por entre ingredientes clássicos da literatura infanto-juvenil, e uma abordagem artística e técnica totalmente devotada à legibilidade máxima. De certa forma, poderíamos dizer que não é “nada de novo”, mas essa asserção não é em si mesma suficiente enquanto leitura e muito menos como juízo de valor. (Mais)