30 de Outubro de 2014

Is That All There Is? Joost Swarte (Fantagraphics)

Joost Swarte é um daqueles nomes que fazem uma história alternativa da banda desenhada, na medida em que a celebração de uma espécie de cânone central quase impede que se forme uma memória mais diversificada dos seus autores, e até um artista deste calibre, famoso, vê a sua circulação algo rarefeita. Poder-se-ia enclausurar Swarte na sua Holanda natal, agregando-o a um punhado de outros nomes com quem partilha afinidades criativas e editoriais (como Peter Pontiac, Evert Geradts e Theo van den Boogaard), ou a uma época determinada (os anos 1980 – algumas das técnicas de “decorativismo” foram tentadas por muitos dos seus contemporâneos, como François Schuiten e Gérald Poussin) mas o seu nome foi internacionalizado muito rapidamente, e a sua responsabilidade, de certa forma, num recrudescimento por uma banda desenhada consciente da ideia de design, é quase exclusivamente sua. Recordemos que uma das suas imagens mais famosas, que mostra a criação de uma banda desenhada como se de um estúdio industrial de cinema/fotonovelas se tratasse, foi não apenas feita para ser capa de uma das míticas Raw (a no. 2) como foi recuperada há pouco por Paul Gravett para estar na capa de Comics Art, de que falaremos. (Mais) 

28 de Outubro de 2014

Av. Paulista. Luiz Gê (Quadrinhos na Cia.)

Não se trata, Av. Paulista, tanto de um projecto de relação entre a arquitectura e a banda desenhada em que a disciplinarização da primeira inflicta processos estruturais da primeira, ou se procure na linguagem formal da segunda formas de erigir uma cidade, à escala humana ou outra. Não estamos aqui na fundação de uma nova cidade fictícia (à la Dominion City, de Seth), nem um entendimento da vida humana como factor enclausurado na vida de uma cidade (à la Chris Ware), nem uma pesquisa de questões arquitectónicas em torno de micro-ficções (à la Jiminez Lai). Trata-se mesmo de um retrato, quase pessoal, quase passional, de uma veia que atravessa uma cidade e, conforme a perspectiva, a corta, a coze, a sangra, a alimenta. (Mais) 

25 de Outubro de 2014

The Lisbon Studio no FIBDA 2015.

O presente post serve para indicar que amanhã, 26 de Outubro, terá lugar uma apresentação do The Lisbon Studio (TLS), que terá a presença de um número substancial dos artistas associados a este colectivo, e com moderação nossa. Uma vez que são, como reza a expressão, em número superior às entidades maternas, torna-se difícil arrolar, e para mais com certezas, todos os nomes dos que estarão presentes. Mas adivinha-se uma conversa animada, se bem que provavelmente sem ordem. (Mais).

24 de Outubro de 2014

Living Will # 2 e 3. André Oliveira e Joana Afonso (Ave Rara).

Serve este post para (também) indicar, em primeiro lugar, que será lançado [hoje] no FIBDA o terceiro volume desta série, num painel com os autores e moderado por este vosso criado. Tem lugar no Fórum Luís de Camões, dia 25 de Outubro, pelas 16 horas. (Mais) 

William Hogarth na Oficina do Cego.

Serve este brevíssimo post para indicar que esta noite, na Oficina do Cego, estaremos presentes para animar uma noite dedicada a William Hogarth. Para além de dois filmes, faremos uma sumária apresentação sobre a obra do gravador inglês, centrando-nos na esfera mais influente para as áreas que nos animam.

Apareçam!

Mais informações, aqui.

23 de Outubro de 2014

Molly. Rudolfo (Ruru Comix)

Agora que a Lodaçal Comix parece ter confirmado a sua descontinuidade, Rudolfo inflecte os seus esforços editoriais ao serviço do seu próprio trabalho. O autor tem-se desdobrado em vários campos, mesmo se nos atermos somente à banda desenhada, alguns dos quais em colaborações com outros argumentistas, outros dando continuidade a projectos seus anteriormente começados e, como este em particular, dando início a um novo trajecto. (Mais) 

18 de Outubro de 2014

As regras do Verão. Shaun Tan (Kalandraka)

Agora que o breve Verão é apenas uma pequena memória enterrada em dias cinzentos, de poucas abertas, regressar a um livro que o acompanhou de forma discreta e tranquila mas decisiva é necessário. Shaun Tan regressa, no nosso círculo de traduções, com um novo livro que explora os espaços não-ditos mas compreendidos epidermicamente na pele. (Mais) 

17 de Outubro de 2014

O espelho de Mogli. Olivier Schrauwen (Mmmnnnrrrg).

Quando mencionámos o novo projecto deste artista, Arsène Schrauwen, conhecíamos já a versão original deste livro, Le miroir de Mowgli, mas foi com surpresa agradável que descobrimos ter sido produzida esta nova versão, publicada em Portugal. Ela difere da primeira em termos de formato, ligeiramente maior agora (ver nota final), pela técnica de impressão (correcção: ver comentários) e, consequentemente, pela cor (onde no original duas cores se complementavam – um amarelo mais torrado e um azul mais claro, dando origem a pontos de encontro de um vívido verde – aqui usa-se antes um laranja e um azul mais comedidos, levando a um ambiente mais sóbrio). (Mais) 

16 de Outubro de 2014

A pior banda do mundo (2 vols.). José Carlos Fernandes (Devir)

Num panorama de produção e distribuição de jornais a nível nacional, com vários diários e semanários de referência, e jornalismo da especialidade (futebol, entretenimento, etc.), não deixa de ser surpreendente que ainda sobrevivam determinados jornais de interesse absolutamente local, associados a uma mão-cheia de freguesias e que se dedicam a notícias que se circunscrevem a um espaço reduzido. Exemplos são o Ecos de Cacia ou o Jornal Torrejano. Focando em interesses culturais, gastronómicos, desportivos e políticos, ou outros, de um interesse comunitário, poderá parecer aos forasteiros matéria de indiferença, mas a sua leitura – sobretudo se fora de quaisquer elos - traz-nos sempre uma ideia de estranheza quase insuperável. O que não deixa de ser um estímulo para o pensamento sobre mundos paralelos, cujos ecos em relação ao nosso nos regressam distorcidos, mas ainda assim possibilitados de iluminar algum aspecto que se nos torna subitamente familiar onde era apenas estranheza ou desconhecimento, ou pelo contrário, que torna estranho aquilo que nos era quase natural. (Mais) 

15 de Outubro de 2014

Snow. Dieter Vdo (Bries)

De quando em vez surgem livros que aparentam em todos os aspectos serem livros infantis, não o sendo, ou enveredam por pequenos caminhos que parecem afastar-se desse território mais ou menos normalizado. Todavia, isso não impede que ele não seja sequestrado para esse tipo e leitura. (Mais)